23 de out. de 2010

                                                                              Pai...

Será que ainda posso chamá-lo desta forma?

Será que você tem este direito?

E se chamasse de outra forma, qual seria? Pelo nome?...

Ficaria difícil..

Tem tantos com o seu nome...

e muitos são pais verdadeiramente...

Então optei em usar o termo já intitulado pra quem procria.... "pai"!

Sei que um dia esta mensagem chegara até você...

com toda certeza... o mundo é pequeno...

todos se conhecem...e acabam mostrando um para o outro...e sei que você entenderá na hora que é pra você...



Você...Pai... Se mostrou pra mim uma pessoa insubstituível,

forte...inteligente... tudo sabia...

você era o meu He-Man...

Eu, pequenina...

você, meu ídolo... via você mais forte,

Mais esperto do que o He-Man...

Quanto carinho, dedicação, amor...

Mas o que não deveria acabar...acabou...

Onde fica os dizeres até que a morte os separe,na saúde ou na doença...?

Hoje, com vinte e poucos anos e com muitas decepções a seu respeito me sinto uma “ex-filha”...

Engraçado, nunca tinha ouvido esta expressão...

mas foi isto que você me deu...

Você, um ex-pai! Eu, ex-filha...

Já vi ex tudo... mas nunca esta ligação acabar...

acho que você foi o único que fez isso..

ou será que existe mais homens com esta coragem?





Resolveu fazer uma nova historia... direito seu se tivesse sido digno de sair da maneira correta...

não ficamos onde não nos sentimos bem...

mas filhos... é sagrado... é um laço eterno...

Tantos que não tem filhos, vivem tristes,

pedem a Deus que os dê um...

E quando conseguem adotar e serem aceitos pelo filho,

como se sentem felizes...





E você renegou o que Deus deu...filhos...

Hoje em dia comemora-se tudo...

Tem dia para se comemorar tudo...

já se comemora também o dia da adoção...

Tantos pais, mães e filhos felizes, se completaram e se completam...

Sabe como me sinto?

Já passou pela sua cabeça o mal que você me fez, e o quanto vou lembrar disto por toda minha vida?



Eu sou uma ex filha!!!

Não existe dia de ex filho! E ainda que tivesse, o que adiantaria?

Não preciso de um ex pai... Preciso de pai!





Me sinto incompleta...

minha mãe?... O ministério dela é ser mãe...

Tentou...mas nunca conseguiu ocupar seu lugar... nem conseguirá...

cada um tem o que Deus separa..

e o seu "era" pai...



Vou tocar minha vida,talvez melhor do que com você junto...

pois para você agir assim, só pode ser uma pessoa

extremamente egoísta...





E mesmo me sentindo uma filha "ex" consigo me sentir feliz...ficou um pedacinho vazio... ficou a marca do que você inaugurou... "ex-filha"!

Agora quero arrumar o dia para comemorar o que sou...

talvez, assim se tiver mais ex pais pelo mundo,

pode ser que eles acordem, olhem pra dentro deles e enxerguem o mal que fizeram e podem fazer aos seus filhos...





Quero deixar meu pensamento na página que se dedica aos pais e filhos... Já que me deram a oportunidade de me expressar aqui,

quero que todos saibam o mal que se pode fazer a um filho...

tudo, porque se resolve formar uma nova família e não lembrar que já existia outra...

e filhos.... e família...

Mas mesmo assim, agradeço a Deus por ter nascido...

Se vim de você, foi porque Deus assim quis... algum motivo muito especial...

Algo que só Deus sabe...

Com uma lacuna no coração?...sim...

Mas não me sinto infeliz...me sinto bem, como escrevi antes...

Só quero que todos saibam que precisam marcar a comemoração para o dia do ex filho!

E hoje, faço com você o mesmo que você fez conosco:

Desprezo!!!

Obrigada, meu ex pai.





Assinado sua ex filha.



 


10 de out. de 2010

"Pensando bem, não sou essa mulher fatal que você pensa que eu sou.



Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior,


de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa.






Aquelas frases filosóficas, foram só prá te impressionar,


prá te passar essa ilusão de intelectual ...


Na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram,


quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!






Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem ...


Quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço,


por isso uso todos esses artifícios.


É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia,


de que você encontre em mim uma série de imperfeições.






Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível,


de mulher forte com punhos de aço ...


No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento


e que deseja ficar no aconchego do ninho e ser mimada até adormecer.






Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho nenhum


e você terá que me amar muito para suportar essas minhas impotências.






Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... essa jornada dupla me deixa tão carente ...


A convicção de independência afetiva? É tudo baléla!


Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho ...


Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões ...


Um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo ...






Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou!


Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade.






Administrei minha liberdade.


Tomei decisões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido ...


Decidi o meu destino com tanta segurança ...


Mas não previ que na linha da minha vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.






Agora, cá estou eu, vinte e poucos anos e toda atrapalhada,


tentando um cruzar de pernas diferente,


um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual ...


Mas não sei direito o que fazer para agradar.


Confesso que isso me cansa um pouco.


Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria,


como se eu nunca tivesse temido nada.






Queria lhe falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive,


do meu primeiro dia de aula ...






Queria falar dessas coisas mais elementares, e lhe levar à casa da minha mãe,


lhe mostrar meu álbum de retrato ( eu, me equilibrando nos primeiros passos ),


ah, queria lhe mostrar minha primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe!


Queria lhe mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!)


e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros.






Ah, você queria falar alguma coisa?


Está bem! Antes, só mais uma coisinha:


estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim,


que você saia, à francesa, desta história


e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez !"



O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou.



O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto".


O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração os quais sozinhos jamais poderíamos enxergar.


O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!"


Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha.


Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.


Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois...


Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.


A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos...

Padre Fabio de Melo